Depois de um enorme hiato, sobretudo com relação à plataforma de publicação, volto trazendo uma novidade — ainda que ela não seja tão excepcional assim.
No final do ano passado, iniciei uma newsletter onde compartilhava meu processo de aprendizagem autodidata em idiomas, incluindo as minoritárias.
Com o passar dos meses, percebi que essa iniciativa deixou de ser apenas um “projeto paralelo”, mas uma parte de quem sou agora e do que estou construindo depois de encerrar minha trajetória no setor audiovisual.
Sendo assim, optei unificar o conteúdo a esse singelo blog!
Decidi compartilhar meu primeiro plano de estudo e, embora tenha optado recentemente por reformulá-lo, deixo-o aqui como registro e, claro, para quem quiser colocá-lo em prática.
Pois bem, antes de iniciar essa jornada linguística, eu estava em busca de uma metodologia que se encaixasse bem na minha “atribulada rotina”, com um tempo de estudo bastante limitado.
Claro que minha intenção nunca foi buscar fluência de forma rápida, mas sim vivenciar o processo de aprendizagem desses idiomas. Portanto, não estava nem um pouco interessada em criar um método de estudos — como muitos fazem, a ponto de vendê-lo como uma fórmula mágica.
Se algum de vocês estiver interessado em uma metodologia — dessas que muitos apresentam como algo exclusivo — não gastem uma fortuna com isso. Basta uma rápida pesquisa no Google (se é que muitos ainda fazem isso) para encontrar coisas bem interessantes. A verdadeira “mágica” está em adaptá-las à nossa realidade e ajustá-las conforme avançamos nos estudos.
Bom, eu encontrei um caminho. Na verdade, peguei emprestada uma metodologia bastante conhecida na área da administração: o princípio de Pareto — só que aplicado no aprendizado de idiomas.
E então surge a pergunta: como organizar um plano de estudo de sete idiomas em cerca de 1h por dia?
Partindo do princípio de Pareto — em que 20% dos esforços geram 80% dos resultados —, e considerando que meu objetivo sempre foi equilibrar minha atenção entre os idiomas, precisei fazer uma adaptação e estruturar um sistema rotativo de aprendizado. Dessa forma, organizei os idiomas em três níveis de prioridade: alta, média e baixa.
Com o cronograma definido, sigo essa estrutura ao longo de um mês. No mês seguinte, faço a rotação dos idiomas.
Ou seja, os idiomas que no mês anterior estavam em alta passam para média; os de média passam para baixa; e os de baixa passam para alta prioridade. Domingo é dia livre.
Já o conteúdo de estudo eu organizo da seguinte forma:
Tenho um livro didático, que utilizo como ferramenta principal. Inicio uma unidade e trabalho nela por duas ou três semanas – às vezes menos. Não passo para a próxima enquanto o conteúdo não estiver “na ponta da língua”, digamos assim.
Costumo usar o Anki para uma melhor fixação do conteúdo, mas também gosto de criar meus próprios flashcards físicos.
Em hipótese alguma entro na gramática do idioma. Se, por acaso, surgir alguma dúvida que eu sei que está relacionada à gramática, apenas anoto no meu caderno e sigo adiante. No momento, o que me interessa é a construção de vocabulário — o que envolve aprender frases essenciais.
Para que os estudos não se tornem cansativos, sobretudo quando um idioma está em alta prioridade, nem sempre utilizo o livro para gerar conteúdo.
Em vez disso, costumo fazer práticas orais com o que já estudei. O mesmo vale para os idiomas de média e baixa prioridade: vou alternando as práticas conforme minha energia no dia.
Constância é importante, mas também precisamos ser realistas. Se, em algum dia, você perceber que não conseguirá estudar da forma usual, use a criatividade. Aproveite esse tempo para escutar ou assistir a algo no idioma. Se achar que consegue fazer uma breve revisão, faça — mesmo que por 10 minutos.
Esse método me ajudou muito a dar os primeiros passos nessa longa jornada linguística e a criar a tal da constância — tão essencial para o processo de aprendizado de idiomas.
Como disse lá no início, até há pouco tempo eu o utilizava.
Aliás, o conceito continua o mesmo; só a forma de organização é que mudou um pouco — e mudar não significa que não estava funcionando ou que tudo foi em vão. Mas sim porque os resultados precisam ser mais claros, e, quando a gente nota que alguma coisa está na obscuridade, é preciso rever alguns pontos. Mesmo porque os estudos, independentemente das prioridades, precisam avançar em conjunto. E hoje sinto que, com essa mudança, consegui acertar esse ponto.
Budismo com Atitude, de B Alan Wallace, é menos um livro sobre budismo e mais um convite direto à prática.
Ao longo da obra, Wallace propõe uma mudança de perspectiva essencial: o budismo não deve ser entendido como um sistema de crenças, mas como um método de investigação da mente. A ênfase deixa de estar no acúmulo de conhecimento e passa para a observação direta da experiência.
Algumas ideias ficaram fortes para mim:
1.
O objetivo do Dharma é transformar a mente para que, mesmo durante a adversidade, ela seja uma boa amiga, para que a alegria e o bem-estar possam surgir em momentos de felicidade e de adversidade.
2.
A maleabilidade da mente indica que ela pode ser ajustada. A mente pode ser equilibrada. O Budismo categoriza as funções da mente em conceituais e perceptivas.
3.
Saudável é explorar e desenvolver o modo perceptivo de consciência. Por exemplo, ao caminhar, você pode escorregar para o modo perceptivo tomando consciência da respiração, estando presente no corpo ou deixando a consciência presente no ambiente ao seu redor.
4.
Transforme a adversidade em caminho para o despertar espiritual. Transforme a adversidade em bodhicitta. O caminho direto não desvia do sofrimento — em vez disso, ele incorpora o sofrimento e o transforma no próprio caminho.
5.
O Treinamento da Mente diz: “transforme a adversidade em caminho para o despertar espiritual”. Se conseguir tomar as coisas que aparecem como obstáculos e transformá-las em prática espiritual, você estará a caminho de alcançar a iluminação. Na compreensão budista, os obstáculos estão relacionados ao carma: o que experienciamos como adversidade consiste em repercussões de ações feitas no passado — lide com a adversidade considerando-a como fruto de ações passadas.
6.
É impossível amadurecer espiritualmente sem desenvolver coragem, paciência, resiliência e equanimidade.
7.
O autocentramento traz felicidade ou sofrimento? Se a adversidade for examinada cuidadosamente, verificaremos que ela não tem existência intrínseca. A adversidade aparece como uma adversidade devido ao autocentramento. É ele que transforma nossos problemas em grandes problemas e faz com que os problemas de outras pessoas pareçam insignificantes.
8.
A frustração e a infelicidade ocorrem porque o autocentramento nos torna incapazes de suportar o comportamento de outras pessoas.
[…] O autocentramento nos domina e pode nos tornar muito infelizes. Ao longo do dia, identifique momentos de autocentramento.
[…] Apenas a identificação de nosso próprio autocentramento pode resultar em crescimento espiritual para nós mesmos.
9.
[…] Nossos verdadeiros inimigos não são seres humanos, são as aflições mentais de raiva, ciúme, arrogância e ilusão, comandadas pelo grande general — o autocentramento.
10.
[…] Ao nos identificarmos com “estou com raiva, bravo, ofendido, indignado”, as muralhas da mente são invadidas e a mente sucumbe às aflições. Usando a metáfora do guerreiro do budismo tibetano, o remédio é “ficar no portão de entrada da mente e vigiar” […]
[…] Quando as aflições atacarem, contra-ataque. A estratégia aqui é recorrer ao arsenal de práticas do Dharma sempre que as aflições mentais chegarem aos portões de entrada da mente. Quando as aflições se retirarem e a mente se acalmar, e pensamentos e emoções virtuosas surgirem sem esforço, relaxe, fique à vontade. O Dharma é semelhante à guerrilha.
11.
Lembre-se de que, no contexto budista, um “inimigo” é alguém que deseja prejudicar você, independentemente do que você sente em relação a essa pessoa.
12.
[…] Meditar sobre a bondade de todos é fundamental para cultivar a bodhicitta relativa em qualquer circunstância […]
13.
A prática de meditar sobre a bondade de cada pessoa é aplicável em todos os momentos. Essas grandes oportunidades para desenvolver a compaixão são um presente que as pessoas desagradáveis nos dão para aprofundarmos a compreensão, para abrirmos nossos corações e para acolhermos todos os seres sencientes.
[…] Toda vida precisa ser transformada. Isso exige mudar nossa percepção da adversidade para que a vejamos como uma oportunidade para a prática […]
[…] Ao lidar com pessoas desagradáveis, podemos agradecê-las por proporcionarem oportunidades especiais para o cultivo da bodhicitta […]
Um dos pontos sutis da prática espiritual é ter consciência de como está o seu progresso.
14.
[…] Possa a adversidade fortalecer o cultivo da compaixão. Isso não significa que devemos responder à adversidade ou à injustiça com apatia.
15.
Os quatro poderes de reparação — o poder do remorso, da confiança, da determinação e da purificação para neutralizar os erros — apontam para um ensinamento budista fundamental: não há ato tão negativo que não possa ser purificado.
16.
[…] O caminho budista é examinar atentamente a noção de “eu sou”. Esse “eu” — separado, importante, responsável pelo meu corpo — é, de fato, mais importante do que todos os outros? […]
17.
[…] A maioria de nós não acredita que a raiz do sofrimento esteja dentro de nós. Acreditamos que a causa-raiz de nossos problemas é externa. Apontamos “para fora” e acreditamos que não poderemos ser felizes enquanto todas essas coisas irritantes não mudarem. Essa é uma situação verdadeira e logicamente sem saída […]
18.
[…] O medo é um grande obstáculo no processo de transição da morte, por isso é muito importante morrer sem medo […]
[…] Para o praticante do Dharma, a morte oferece a oportunidade perfeita para a meditação — sem os impedimentos das distrações dos sentidos e do corpo […]
19.
[…] Se você tiver focado na virtude, fazendo seu melhor, corrigindo erros e seguindo em frente, você estará fazendo tudo o que pode. Se outras pessoas, ainda assim, pensarem mal de você, isso é problema delas. Você nunca conseguirá ser perfeito, compassivo, sábio e virtuoso, acima de qualquer crítica […]
[…] Nossa felicidade não precisa ser dependente da opinião dos outros […]
20.
[…] A vida é muito curta e muito importante para ser desperdiçada discutindo-se as falhas dos outros. Esse comportamento não traz nenhum benefício, prejudica o cultivo de bodhicitta e, em última instância, nos fere […]
[…] Quando a motivação é benéfica, há ocasiões e formas apropriadas de discutir as falhas dos outros. Se a motivação for outra, que não traga benefícios, é melhor manter em silêncio […]
[…] Ter uma consciência clara e precisa de nossos estados mentais e comportamentos é muito útil. Mas focar nas próprias falhas o tempo todo nos enfraquece […]
[…] O objetivo da prática espiritual é superar a autofixação e o autocentramento. Se nosso objetivo for, de fato, nos sentirmos mais importantes do que qualquer outra pessoa no mundo, podemos conseguir isso sem nenhuma prática do Dharma! […]
Saio desse livro com a sensação de que estudar é importante, mas observar diretamente a mente é o que realmente transforma. Mais do que respostas, o livro oferece ferramentas — e um direcionamento claro: compreender a mente exige menos teoria e mais experiência direta.
Uma leitura simples na forma, mas profunda nas implicações.
Na postagem anterior, comentei sobre o curso HSK Test Preparation, ofertado pela Universidade de Pequim por meio da plataforma Coursera, como um recurso adicional nos meus estudos de preparação para o exame de proficiência em língua chinesa.
Como esses cursos são oferecidos no formato de especialização, eles não são gratuitos. Por esse motivo, decidi compartilhar algumas dicas essenciais para quem deseja solicitar o aporte financeiro junto à plataforma de forma bem-sucedida.
Antes de tudo, é importante dizer que não é difícil fazer a solicitação. No entanto, alguns detalhes fazem toda a diferença caso o objetivo seja ter o pedido aprovado.
O Coursera avalia, entre outros fatores:
Renda pessoal;
Despesas fixas;
Situação profissional (desemprego, estudante, trabalho informal etc.);
Dependência financeira de terceiros.
A plataforma não exige o envio de comprovantes, mas respostas genéricas, excessivamente amplas ou contraditórias podem levar à rejeição do pedido.
Aqui, é fundamental ter em mente que transparência e coerência não são sinônimos de drama.
O que o Coursera busca avaliar é a sua clareza educacional — ou seja, por que aquele curso específico é relevante para você neste momento.
Partindo disso, vale refletir sobre os seguintes pontos ao redigir sua solicitação:
Conexão clara com sua carreira, estudos ou metas acadêmicas;
Continuidade no aprendizado, como uma progressão lógica (por exemplo: HSK 1 → HSK 2 → HSK 3 ou cursos dentro de uma mesma área);
Aplicação prática do conhecimento, seja em provas, projetos, trabalho ou estudos futuros.
A partir disso, fica mais fácil entender o que o Coursera espera nas duas perguntas centrais do formulário de solicitação de aporte financeiro.
A primeira delas busca compreender por que você está solicitando o apoio financeiro. Aqui, o foco não deve ser apenas a falta de recursos, mas o contexto: sua realidade financeira atual, suas prioridades e por que, neste momento, arcar com o valor do curso não é viável.
Já a segunda pergunta é ainda mais estratégica: como esse curso contribui para seus objetivos. É nesse ponto que muitos pedidos falham.
O Coursera não está interessado apenas em saber se você quer estudar, mas se aquele curso específico se encaixa de forma lógica na sua trajetória educacional ou profissional.
Para facilitar esse processo, vale ter em mente alguns cuidados antes de enviar a solicitação:
Meu objetivo educacional está claro?
O curso se conecta com meus estudos, carreira ou metas acadêmicas?
Há coerência entre minha situação financeira e o que descrevi no formulário?
Consigo explicar, de forma simples, como aplicarei esse conhecimento?
O texto reflete minha realidade, sem exageros ou respostas genéricas?
Outro ponto importante é evitar erros comuns que frequentemente levam à reprovação do pedido, como:
Copiar respostas prontas encontradas na internet;
Escrever textos excessivamente curtos ou vagos;
Apresentar contradições entre as respostas;
Solicitar aportes sucessivos sem concluir cursos anteriores.
No meu caso, solicitar o aporte financeiro foi parte de uma decisão consciente de investir na minha preparação para o HSK de forma estruturada e contínua. Não se tratava apenas de acessar um curso, mas de integrar esse recurso a um projeto de estudos já em andamento.
E se você está considerando fazer a solicitação, encare o formulário como um espaço para apresentar seu compromisso com o próprio aprendizado.